Saúde Masculina – Dia Nacional do Homem

Em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida média da população brasileira em geral, em 2012, foi de 74,6 anos. Para a população masculina, esse número foi de 71 anos. Nota-se, portanto, que a mulher tem expectativa de vida bem maior que o homem, fruto de sua preocupação com a prevenção de doenças e o constante acompanhamento médico a partir do início de sua vida reprodutiva.

 

Por que isso acontece? E a saúde masculina?

É fato conhecido que o homem não dá a merecida atenção à sua saúde. Como regra, ele procura assistência médica somente quando o problema já está instalado. Este comportamento, tão universal quanto condenável, traz impacto não somente na diminuição da longevidade, como consequentemente, diminuição na vida economicamente ativa dos homens. Há também um crescente custo ao sistema de saúde. Estima-se que para cada dólar aplicado em prevenção, economizam-se outros cinco dólares que seriam gastos no tratamento de doenças.

Somente as ações primárias em saúde podem reverter este atual quadro de displicência do público masculino quanto a sua própria condição de saúde e de envelhecimento, sobretudo quando consideramos o aumento na expectativa de vida.

Segundo os Princípios e Diretrizes da Política de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH, 2008), em 2007, dentre as internações por tumores do Aparelho Urinário, houveram 2.377 internações por câncer de próstata; 1.510 por câncer de bexiga e 2.183 por outros tumores malignos do aparelho genital masculino. Esse deve ser o principal foco de atendimento primário: diminuir a prevalência de doenças através da prevenção.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) – instituída pela Portaria nº 1.944/GM, do Ministério da Saúde, de 27 de agosto de 2009, regulamentada por meio do Anexo II da Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, tem como objetivo geral “promover a melhoria das condições de saúde da população masculina do Brasil, contribuindo, de modo efetivo, para a redução da morbidade e mortalidade através do enfrentamento racional dos fatores de risco e mediante a facilitação ao acesso, às ações e aos serviços de assistência integral à saúde”.

Em 2015, foram realizadas aproximadamente 4,1 milhões de internações no Brasil na faixa etária de 20 a 59 anos (excluindo as internações por gravidez parto e puerpério) com taxa de predomínio do sexo masculino de 3.911 contra 3.619 do sexo feminino. A maior taxa de internação entre o sexo masculino ocorreu na faixa etária de 50 a 59 anos (7.020).

Podemos ressaltar ainda outras possíveis ações nesse acompanhamento: avaliação anatômica da genitália masculina (fimose, hipospádia, freio curto, varicocele, micropênis, hidrocele, tortuosidade peniana), aconselhamento sexual, orientação sobre a atividade e desenvolvimento sexual, masturbação, doenças sexualmente transmissíveis (DST), disfunções sexuais (eréteis e ejaculatórias), métodos anticoncepcionais e planejamento familiar. Esses itens elencados vão de encontro com as Diretrizes do PNAISH, uma vez que:

prioriza a atenção básica, norteia a prática de saúde pela humanização e qualidade de assistência prestada, reorganiza as ações de saúde, com proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde como espaços masculinos e realiza estudos e pesquisas que podem contribuir para a melhoria das ações da Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem. (PNAISH,2008)

 

OBJETIVO

Atendimento e seguimento planejado ao homem, a partir dos 13 anos de idade. Objetiva-se criar uma referência para a população masculina, que terá informações de boa qualidade quanto à prevenção de doenças. Desta forma, haverá redução de custos ao sistema de saúde.

 

ABORDAGEM

De todos os pacientes são coletados dados para avaliação da saúde geral, sendo obtidas informações quanto a hábitos (dietéticos e atividade física) e vícios (tabagismo, etilismo, drogas), bem como coleta de exames laboratoriais. A faixa etária do paciente determinará o foco da abordagem médica, bem como os exames a serem coletados:

  • dos 13 aos 45 anos: haverá atenção especial quanto a avaliação anatômica da genitália (fimose, hipospádia, freio curto congênito, varicocele, hidrocele, micropênis, tortuosidade peniana, desenvolvimento sexual), aconselhamento sexual, atividade sexual, masturbação, doenças sexualmente transmissíveis (DST), disfunção sexual (ejaculação precoce), métodos anticoncepcionais e planejamento familiar, e neoplasias típicas desta faixa etária (por ex., testículo, tumor de Wilms). Nesta faixa, serão coletados, de maneira seriada, hemograma, perfil lipídico, glicemia de jejum, rotina de urina e sorologias para DST.
  • acima dos 45 anos: avaliação anatômica da genitália (fimose, hipospádia, freio curto, varicocele, hidrocele, tortuosidade peniana), aconselhamento sexual, atividade sexual, masturbação, doenças sexualmente transmissíveis (DST), disfunções sexuais (eréteis e ejaculatórias), métodos anticoncepcionais e planejamento familiar, avaliação prostática e neoplasias típicas desta faixa etária (por ex., próstata, bexiga, rins). Nesta faixa, são coletados, de maneira seriada, hemograma, perfil lipídico, glicemia de jejum, rotina de urina, perfil hormonal e PSA.

Dr. Fabiano Simões – Médico Urologista do HNA