Segundo a Sétima Diretriz Brasileira de Hipertensão publicada em 2017, a hipertensão arterial caracteriza-se por uma condição clínica e multifatorial onde os níveis pressóricos se elevam sustentadamente acima de 140mmHg na sua máxima e/ou 90mmHg na sua aferição mínima em repouso.

Está frequentemente ligada aos distúrbios metabólicos (diabetes mellitus, dislipidemias, obesidade e distúrbios tireoidianos), funcionais e estruturais (aterosclerose, disfunção renal e obesidade).

A hipertensão arterial mantém associação importante com vários eventos graves sistêmicos, com lesões de órgão alvo: acidente vascular cerebrais, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, insuficiência renal e vascular periférica, que podem ser limitantes a até fatais.

No Brasil a hipertensão arterial atinge 32,5% da população adulta e mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente em 50% das mortes por causas cardiovasculares.

As causas de mortalidade geral têm declinado nos últimos anos com exceção das doenças secundárias a hipertensão, que aumentou entre 2002 e 2009 e mostrou tendência a redução em 2010.

As doenças secundárias a Hipertensão são responsáveis por altas taxas de internação, com custos socioeconômicos elevados, acarretando grandes perdas.

Uma revisão da Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2015 mostra que o conhecimento da população em geral varia entre 22% e 77% e o controle efetivo da hipertensão varia de 10,1% a 35,5% dependendo da população estudada.

Existem vários fatores de risco, segundo as Diretrizes atuais, para tornar os indivíduos hipertensos e alguns destacam:

– Há correlação linear entre hipertensão e envelhecimento (expectativa de vida atual da população brasileira 74,9 anos), como foi salientado anteriormente > 60% dos idoso são hipertensos.

– As mulheres e pessoas de raça negra tem maior prevalência de hipertensão. O estudo Corações do Brasil observou a seguinte distribuição: 11,1% na indígena, 10% na amarela, 29,4% na branca, 26,3% na parda e 49,3% na negra.

– O excesso de peso e ingestão de sal são fatores de risco importantes para a hipertensão. Nos últimos anos houve aumento da prevalência de excesso de peso (MC > 25kg/m2: relação entre peso e altura) e obesidade na população em geral (índice de massa corpórea > 30 kg/m2). Quanto a ingestão de sal na dieta o brasileiro consome diariamente mais que o dobro das quantidades necessárias de sal, para uma média recomendada de 2,0g/dia este consumo e é menor nas áreas urbanas do sudeste e maior nas áreas rurais da região norte.

– O outro fator, o excesso de álcool (a ingestão de 4 ou mais doses para as mulheres e 5 ou mais doses para os homens em uma mesma ocasião, dentro dos últimos 30 dias) aumenta os riscos tóxicos orgânicos e de hipertensão.

– Os dados do Plano Nacional de Saúde informam que os indivíduos sedentários (< de 150 minutos de atividade física moderada/semana) representam quase 50% da população adulta brasileira, com aumento significativo dos riscos de aumento dos níveis pressóricos.

São várias as estratégias propostas pelas Diretrizes de Hipertensão Arterial, para controle deste verdadeiro flagelo para a nossa população e englobam políticas públicas de saúde, combinadas com ações das sociedades medica e civil, para estimular a detecção precoce, o tratamento continuo e o efetivo controle da hipertensão arterial, para estimular mudança do estilo de vida, com hábitos saudáveis.

 

Dr. Wagner Pinaffi CRM/SP 43256

Especialista em Cardiologia pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)

e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Especialista em Unidade Coronariana pela Faculdade de Ciências Médicas (UNICAMP).