Após a declaração de pandemia pelo COVID-19 (Novo Coronavírus), várias notícias e rumores sobre o tema têm circulado pelos diversos meios de comunicação. Infelizmente, a grande maioria destas informações são incompletas, causam pânico ou até mesmo são completamente fabricadas (as “Fake News”).

A fim de tentar esclarecer ao máximo a atual situação desta pandemia, além das dúvidas mais comuns como prevenção, transmissão, mortalidade, tratamentos e etc, nós da equipe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Novo Atibaia formulamos este informativo para a população geral.

 

  1.   O que é um Coronavírus?

 

R: Os Coronavírus são uma família de vírus conhecida desde 1960. Eles têm esse nome devido ao seu formato com “espiculas” em sua superfície, que lembram uma coroa. Essa família de vírus costuma infectar algumas espécies de mamíferos como morcegos, aves, porcos, macacos, roedores, entre outros, e como todos os vírus, de tempos em tempos sofre mutações que possibilitam a infecção de seres humanos;

 

  1. O que os Coronavírus podem causar?

 

R: Os Coronavírus que afetam os seres humanos são conhecidos por poderem causar desde quadros de resfriado comum até síndromes respiratórias graves (Como a SARS em 2002 e a MERS em 2012). O que conhecemos como “Coronavírus” atualmente é denominado COVID-19, uma nova variação desta família de vírus, que tem potencial de causar quadros respiratórios graves em alguns grupos de pessoas. Vamos discutir este tema mais a fundo a seguir;

 

  1. Como o COVID-19 é transmitido?

 

R: A transmissão do COVID-19, por ser um vírus respiratório, ocorre e forma muito semelhante ao resfriado comum ou Influenza. Isso é, ela ocorre de pessoa a pessoa, através de contato direto, superfícies contaminadas ou por meio de compartilhamento de itens de uso pessoal. Vamos conversar em detalhes sobre prevenção e medidas de segurança com relação mais abaixo, por ser o assunto mais importante de todo este texto.

 

  1. Quais são os sintomas do COVID-19? Quando suspeitar que alguém esteja infectado?

 

R: Os principais sintomas são FEBRE e SINTOMAS RESPIRATÓRIOS (Tosse, falta de ar, coriza nasal, etc). Os sintomas são muito parecidos com os do vírus da influenza, por este motivo a história epidemiológica e os exames para investigação são essenciais para suspeitar da infecção. No atual momento epidemiológico, se tratando de uma pandemia, não temos como saber quais pessoas podem ou não estar infectadas pelo histórico de viagem, então todas as pessoas com quadros respiratórios e febre são considerados suspeitos.

 

  1. Quantos casos de COVID-19 temos atualmente no Brasil?

 

R: Temos que atualmente o quadro se classifica como uma Pandemia. Isso significa que temos o aumento diário do numero de casos, uma vez que a doença não se encontra sob controle. Esse fato não é motivo para alarde ou medo, e devemos seguir todas as orientações de higienização e isolamento para garantir o controle da infecção e a estabilização destes números. SOMENTE COM A COLABORAÇÃO DE TODOS E SEGUINDO TODAS AS ORIENTAÇÕES VAMOS CONSEGUIR CONTER A PANDEMIA DE COVID-19

 

  1. O COVID-19 é um super-virus? Ele está matando todas as pessoas que são infectadas?

 

R: O COVID-19, assim como tantos outros vírus respiratórios e praticamente todas as doenças infectocontagiosas, tem o potencial de causar complicações graves que podem levar ao óbito. Isso sendo dito, na grande maioria dos casos, a evolução da doença é benigna e passa para cura sem nenhuma espécie de sequela ou complicação. Temos que atualmente a mortalidade geral é em torno de 2,3% (A mortalidade de outras doenças mais prevalentes no nosso meio como a “dengue hemorrágica” pode chegar a até 10%). Estas taxas de mortalidade também são muito mais altas em pessoas de mais idade como descrito abaixo:

— 0 a 9 anos = Não houve mortes

— 10 a 19 anos = 0,2%

— 20 a 29 anos = 0,2%

— 30 a 39 anos = 0,2%

— 40 a 49 anos = 0,4%

— 50 a 59 anos = 1,3%

— 60 a 69 anos = 3,6%

— 70 a 79 anos = 8,0%

— + de 80 anos = 14,8%

 

Como podemos ver, é uma doença que merece nossa atenção, assim como várias doenças que fazem parte do nosso dia-a-dia como a Influenza, mas que está muito longe de ser um super-vírus como várias fontes de “Fake News” afirmam. Muita parte do medo relacionado com o COVID-19 vem do desconhecimento sobre o mesmo e de informações incompletas ou incorretas que causam pânico.

Temos assim que as pessoas que devem tomar cuidado redobrado com o COVID-19 são os grupos de risco, como os idosos, os pacientes imunossuprimidos e os com comorbidades importantes (Doenças cardíacas, Diabetes mellitus, Doenças pulmonares, …).

 

  1. Existe algum remédio, vacina ou cura para o COVID-19?

 

R: Sendo o mais claro possível neste assunto, NÃO. ATÉ O PRESENTE MOMENTO, NÃO EXISTE NENHUMA MEDICAÇÃO ALVO ESPECIFICA, VACINA OU TRATAMENTO (SEJA ELE DE MEDICINA TRADICINAL OU ALTERNATIVA) QUE POSSA SER CLASSIFICAD COMO CURA PARA O COVID-19. Temos que em tempos de medo, gerados por uma doença que mesmo não sendo altamente mortal, não tem tratamento especifico ou vacina, diversas pessoas se aproveitam do desconhecimento e do desespero alheio para lucrar com “curas milagrosas”, “terapias alternativas que garantem o desaparecimento da doença” e “remédios caseiros que funcionam sem falha”, muitas vezes se valendo de títulos como “Médico”, “Especialista”, ou até mesmo “Repassando informações de uma fonte confiável”. Este tipo de atitude é condenável é não representa o trabalho árduo de tantas equipes de pesquisa empenhadas em encontrar uma forma de combater o COVID-19. Atualmente existem ao redor do mundo diversas equipes e frentes de pesquisa procurando tanto medicações quanto uma vacina, e estes pesquisadores empenhados são as únicas pessoas capazes de fornecer novas formas de combater o COVID-19. Por favor, sempre confirmem as informações com fontes oficiais antes de repassar as mesmas.

 

  1. Se não existe remédio, o que eu posso fazer para me proteger?

 

R: Assim como dito anteriormente, este é o ponto mais importante de todo este texto. Até o presente momento, a única forma de combater o COVID-19 é prevenir o mesmo, então TODAS as pessoas, ESPECIALMENTE OS GRUPOS DE RISCO APONTADOS ACIMA devem seguir as orientações de prevenção:

  1. Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas (Tanto pessoal com risco para COVID-19 quanto pessoas com “gripe”);
  2. Higienizar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar (Para esta higiene pode ser feito o uso de Água-e-Sabão OU Álcool gel);
  3. Usar lenço descartável para higiene nasal;
  4. Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir (Cobrir usando o cotovelo e não as mãos, para evitar contaminação);
  5. Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
  6. Higienizar as mãos SEMPRE após tossir ou espirrar (Mesmo tossindo no cotovelo);
  7. Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  8. Manter os ambientes bem ventilados;

 

Tendo isso tudo em mente, A MEDIDA MAIS IMPORTANTE SEM SOMBRA DE DUVIDA É A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS. Sem a correta higienização das mãos, todas as outras medidas de prevenção caem por água abaixo, então o uso de água e sabão OU álcool gel é essencial para se manter saudável;

 

  1. Devo usar máscara cirúrgica ou mascara N95 “bico de pato”?

 

R: O uso de máscaras é talvez o ponto mais complicado de toda a discussão do COVID-19. É extremamente comum associarmos os eventos atuais ao uso de máscaras pela população geral e imagens na mídia de profissionais trajados “da cabeça aos pés” com roupas de proteção (BSL-3). Isso causa um grande desconforto na população geral que acredita que só vai estar protegida com uso de mascaras. As máscaras de uso hospitalar SÓ GERAM PROTEÇÃO QUANDO UTILIZADAS DE FORMA CORRETA, e o seu uso indiscriminado ou sem os devidos cuidados geram apenas uma FALSA SENSAÇÃO SE SEGURANÇA, o que pode fazer com que a pessoa não tome as outras medidas de precaução e acabe contraindo a doença.

A máscara cirúrgica, por ser fina e descartável, perde a sua eficácia rapidamente com o uso. Somente a respiração normal faz com que a mesma se torne ineficaz após cerca de 2h de uso (menos ainda se a pessoa falar ou molhar a mesma). Por isso não é uma medida recomendada para prevenção, pois pode dar uma falsa sensação de segurança que faz com que a pessoa “baixe a guarda” e se exponha a riscos. Já a máscara PFF-2 (Também conhecida como N95 ou “bico de pato”) é mais duradoura que a máscara cirúrgica, porém tem a desvantagem de ser muito mais cara e dificultar bastante a respiração, o que pode incomodar muito o usuário e fazer com que o mesmo não faça seu uso correto. Diferente da máscara cirúrgica, ela tem uma vida útil de até 30 dias, porém o seu uso diário irá trazer danos, sujidades e umidade, que irão fazer com que a mesma se torne rapidamente ineficaz e exponha a pessoa a riscos elevados de contrair doenças respiratórias, mais uma vez por “baixar a guarda”.

Em resumo, AS MÁSCARAS DEVEM SER RESERVADAS APENAS PARA USO DENTRO DO AMBIENTE HOSPITALAR, sendo que as medidas de prevenção acima, quando feitas de forma correta, são suficientes para garantir a sua proteção.

 

  1. E se eu faço parte de um dos grupos de risco? O que devo fazer?

 

R: Caso você se encontre em um dos grupos de risco descritos acima, as medidas de prevenção devem ser feitas com ainda mais frequência e atenção, fora que evitar o contato com aglomerações ou pessoas doentes se torna uma das coisas mais importantes. Outras medidas especiais como uso de excepcional de máscaras devem ser discutidas em particular com seu médico ou preferencialmente com um médico infectologista para que o mesmo tire todas as suas dúvidas.

 

Murilo Santarsiere Etchebehere
Médico Infectologista
CRM-SP: 163.342 / RQE: 71.902