Dr. Murilo Santarsiere Etchebehere, Infectologista do HNA – CRM: 163.342

O fígado é um dos órgãos mais importantes do nosso corpo. Ele desempenha diversas funções, que vão desde a produção de enzimas e proteínas, até a inativação de substâncias tóxicas. Devido toda essa importância, hoje (28/07) é o Dia Mundial de Combate à Hepatite. Uma condição de saúde muito conhecida, porém que causa muita confusão devido aos seus vários tipos e estágios. Hoje vamos falar um pouco mais sobre esta doença, e aprender juntos sobre como podemos nos prevenir.

“Hepatite” significa inflamação do fígado, e a doença que conhecemos como Hepatite na realidade pode ter várias causas, como: vírus, bactérias, medicamentos, doenças autoimunes, álcool, etc. Apesar dos diferentes gatilhos da Hepatite, o quadro clínico e a evolução da doença são muito parecidos em todas elas, por isso muitas vezes entendemos como sendo uma única doença, quando na realidade são várias doenças muito parecidas.

Para simplificar, podemos dividir as Hepatites em 2 grupos: Não Infecciosas e Infecciosas. As Hepatites Não Infeciosas são as mais simples de compreender e controlar, muitas vezes bastando a retirada do “fator agressor”, ou seja, o elemento que está gerando a Hepatite. Este elemento pode ser uma medicação que está sendo usada como um antibiótico, uso de bebida alcoólica em excesso ou, em alguns casos mais raros, doenças autoimunes ou doenças do fígado, como a Colelitíase (Cálculos na Vesícula Biliar).

Já as causas Infecciosas são as mais preocupantes, porque além de causar vários problemas para o paciente, elas podem ser transmitidas e gerar complicações para outras pessoas. Temos Hepatites que podem ser causadas por amebas e bactérias, mas a causa mais frequente são as Hepatites Virais.

As Hepatites Virais mais conhecidas e comuns são A, B e C. Porém existe também a D, E, F e G. Todas atacam diretamente o nosso fígado gerando lesões e sintomas, como a Icterícia (pele amarelada e coceira), náuseas, vômitos, perda de apetite e, em alguns casos, se não forem tratadas, podem até mesmo evoluir com a temida Cirrose, uma espécie de estágio final da hepatite onde o fígado para de funcionar e o corpo tem uma serie de complicações.

Um pouco mais sobre cada uma das Hepatites Virais:

– Hepatite A: transmitida através de água ou alimentos contaminados por fezes. Em geral não requer tratamento específico, apenas controle dos sintomas. Autolimitada, o nosso Sistema Imune combate o vírus e gera imunidade. Costuma melhorar espontaneamente, porém quando relacionada com outros tipos de Hepatite e Doenças do Fígado pode ter apresentação muito mais grave. Existe vacina, porem o SUS só fornece gratuitamente para grupos de risco.

– Hepatite B: transmitida através de contato com fluidos corporais contaminados (sangue, saliva, sêmen e secreções vaginais), o vírus pode ser transmitido em qualquer momento que haja contato com um destes fluidos acima (relação sexual, uso de drogas injetáveis, da mãe para o bebê durante a gestação, ferimentos em pele e mucosa, etc.). Além de ser um vírus que pode ficar ativo por vários dias fora do corpo contaminado superfícies sujas. A infecção pode variar de aguda e autolimitada nos casos mais leves, até crônica com necessidade de tratamento contínuo ou até mesmo fulminante nos casos graves. Por isso é extremamente importante a vacinação contra a Hepatite B, disponível gratuitamente para todos pelo SUS.

– Hepatite C: transmitida através do contato direto com sangue e todo tipo de atividade que possa ter contaminação, como compartilhamento de agulhas e tatuagens. Em geral é uma “doença silenciosa”, muitas vezes não apresentando sintomas e sendo descoberta nos exames de rotina. Diferente das Hepatites A e B, não existe vacina para hepatite C e o nosso corpo não consegue gerar imunidade contra ela, então a única coisa que podemos fazer é nos proteger, e caso ocorra a infeção, realizar tratamento para evitar a evolução para o estágio de Cirrose.

– Hepatites D: vírus mais raro, somente ocorre em pessoas infectadas pela Hepatite B, através do contato com sangue contaminado. Não existe vacina específica ou tratamento curativo, então a pessoa infectada tem que manter o tratamento da Hepatite D para o restante da vida.

– Hepatite E: muito semelhante a Hepatite A, também é transmitida por água ou alimentos contaminados por fezes. Tem duração autolimitada e costuma ser leve. Doença muito rara, é mais frequente no norte do país em regiões com saneamento básico precário. Assim como a Hepatite C e D, não tem vacina.

Se tratando de Hepatites, o mais importante é sempre a proteção. Tendo em mente:

  1. Sempre manter a carteira vacinal em dia, além de auxiliar idosos e crianças com relação as suas atualizações vacinais sempre que forem necessárias;
  2. Realizar periodicamente os exames e sorologias de rotina com seu médico. Quando gestante, fazer acompanhamento pré-natal de rotina e seguir todas as orientações;
  3. Uso de preservativo em todas as relações sexuais;
  4. Jamais compartilhar ou reutilizar seringas e agulhas;
  5. Evitar contato desprotegido com sangue ou outros fluidos corporais;
  6. Sempre realizar tatuagens e piercings com artistas e profissionais aprovados pela vigilância sanitária, que utilizem materiais descartáveis a cada paciente;
  7. Evitar as contaminações alimentares, sempre ingerindo alimentos bem lavados e cozidos e bebendo líquidos de fontes confiáveis;
  8. No caso de dúvidas, exposições, os mesmos caso apareçam sintomas que você considere como podendo ser relacionados a hepatites, sempre procure atenção médica para correta investigação e tratamento.

 

Dr. Murilo Santarsiere Etchebehere, Infectologista do HNA – CRM: 163.342