A Doença de Alzheimer foi apresentada pelo neuropatologista e psiquiatra alemão Aloysius (ou Alois) Alzheimer no início do século XX, que a identificou como uma moléstia degenerativa do cérebro, motivo de uma cuidadosa observação clínica referente a Sra. Auguste Deter, sua paciente. Na época ela apresentava alteração comportamental, mas o que mais se destacava era a perda de memória recente, o que chamou muito a atenção do Dr. Alois. Após o falecimento de sua paciente ele conseguiu demonstrar, através da análise microscópica, alterações celulares nos neurônios dela, os chamados emaranhados neurofibrilares, espécie de novelos de proteínas dentro das células. Tais alterações estavam associadas com a perda da normalidade desses neurônios que tinham aspecto degenerados ou destruídos.

De lá para cá, mais de 100 anos se passaram e, no entanto, a ciência produziu até aqui pouca informação para desvendar esse mistério, que está cada vez mais presente na nossa vida. A prevalência desse mal chega a cifras preocupantes no mundo, vitimando preferencialmente as pessoas idosas: 1 em cada 3 idosos acima dos 90 anos apresentam a doença.

Há estudos demonstrando influência genética, influência tóxica ou influência metabólica ou outros estudos buscando tratamentos eficazes. A verdade é que ainda não é clara a causa da doença e os medicamentos aprovados para uso são ainda de restrita eficácia, nos deixando poucas opções terapêuticas.

Muitas pessoas ainda desconhecem esse mal, e na maioria das vezes ignora os episódios de esquecimento em seus entes queridos, atribuindo a idade avançada como causadora da amnésia. Gostaria aqui de fazer o alerta para que, apesar de testemunharmos uma redução do desempenho cerebral no idoso, ao envelhecermos de forma saudável, a ciência só conseguiu mostrar que nossas funções mentais, entre elas a memória, podem se tornar mais lentas apenas para reagirem a um estímulo.

Dessa maneira muitos pacientes acabam perdendo a pouca eficácia que o tratamento atual oferece que é retardar a evolução dos sintomas desde que descoberto no início. Os medicamentos aprovados não interrompem a doença, mas permitem que durante os primeiros 3 anos o paciente viva com a melhor performance possível da memória. Nos pacientes mais idosos e mais frágeis, com outros problemas de saúde associados, é discutível o tratamento devido aos efeitos colaterais incômodos apesar de não graves.

Outra importância de estabelecer o quanto antes o diagnóstico de Alzheimer, é permitir ao paciente os benefícios fiscais e sociais.  A humanização da assistência permite também que o paciente possa tomar decisões antecipadas sobre o modelo e tipo de assistência que deseja para si. A doença costuma evoluir do seu início até a fase avançada de 4 a 12 anos, de modo geral quanto mais jovem ele for, mais rápido tende a progredir.

Os psiquiatras, neurologistas, geriatras e clínicos em geral têm habilidades para fazerem o diagnóstico e tratamento, porém é muito importante dizer que a rede de apoio social é fundamental para qualquer sucesso de tratamento, e aqui estamos falando da família e amigos, pois o portador de Alzheimer necessariamente depende de terceiros para se manter no dia a dia de forma segura.

Cuidar com amor é a forma mais potente de terapia nesse caso, ainda hoje em dia, pois além de ser remédio natural, todos temos de sobra dentro de nós. Não deixe de divulgar essas informações!

 

Dr. André Meneguel de Lara
Gerente médico do HNA