Hanseníase – O que você deve saber

 

O Brasil atualmente é o 2º lugar no mundo com casos de hanseníase. É por isso que orientações frequentes sobre ela são vistas e dadas nos veículos de comunicação.

Chama-se hanseníase porque o agente da doença é o bacilo de Hansen. É uma bactéria que cresce de forma extremamente lenta, portanto tem um período de incubação longo. Este período longo significa que não basta haver um contato rápido com o doente para se pegar a doença. A transmissão se faz por contato prolongado e íntimo com o portador; estamos falando de alguns meses a vários anos de convivência.

A transmissão ocorre por gotículas de saliva e também das secreções expelidas do nariz das pessoas que não estão recebendo tratamento.

Mesmo após o contato com a bactéria, a maioria das pessoas não contrai hanseníase. A maioria dos profissionais de saúde que trabalha durante anos com as pessoas que tem hanseníase não a desenvolve, por causa de boa imunidade. Entre os que desenvolvem parece haver uma predisposição herdada dos pais em não conseguir lutar contra o agente.

 

Os principais sinais e sintomas da hanseníase são:

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas dormentes que podem se localizar em qualquer parte do corpo
  • Áreas com diminuição de pelos e suor
  • Dor e sensação de choque
  • Fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços, mãos, pernas e pés
  • Caroços dolorosos, febre, dor nas juntas
  • Úlceras nas pernas ou pés
  • Sangramento, ferida, nariz entupido e ressecado
  • Ressecamento dos olhos

 

Existem outros sintomas menos comuns, mas não menos importantes: queda de pelos de cílios e sobrancelhas, fraqueza muscular, inflamação dos vasos da pele que viram feridas.

Importante chamar atenção para o fato de que nem sempre a mancha da hanseníase pode estar dormente, porque depende do tempo da doença. Reavaliar é a palavra-chave quando houver dúvida.

Na suspeita de hanseníase o médico fará um exame físico à procura de pistas. Caso ainda persista a dúvida, exames adicionais ajudam no diagnóstico.

Feito o diagnóstico, será feito o tratamento, que é um tanto longo.

 

HANSENÍASE TEM CURA!  O paciente recebe os medicamentos do governo, nos postos que são registrados para isso.

Alguns casos usam os medicamentos por 6 meses, outros por 12 meses. Menos frequentemente precisam mais do que 12 meses para a doença se curar.

 

A melhor forma de reduzir o número de casos é reduzir a transmissão. O achado de novos casos bloqueia toda a cadeia de transmissão. As pessoas que convivem com os pacientes mais tempo devem ser todos examinados à procura de lesões suspeitas, nervos engrossados e áreas sem pelo e sem suor.

Se não forem tratados os doentes podem ter sequelas graves como juntas tortas, úlceras que não se fecham e frequentemente ficam infectadas, nariz inflamado durante muito tempo, cegueira, impotência sexual, mal funcionamento dos rins, entre outras.

 

A hanseníase é uma das doenças mais antigas das quais se tem notícia.

Escritos da Bíblia já mostravam que a doença estava presente na época de Cristo. Existem alguns manuscritos do Egito antigo que citavam algo semelhante no século 6 a.C.

Desde este tempo, por causa das deformidades, a sociedade carrega consigo alguns conceitos, muitos deles equivocados, a respeito desta doença. O preconceito tem sido uma marca em todos os povos, pela falta de conhecimento de como ela funciona.

 

Esperamos que nesse artigo você tenha tido oportunidade de tirar algumas das suas dúvidas. O conhecimento é o melhor aliado na luta contra o preconceito.

Junte-se a nós nessa campanha de orientar as pessoas a procurarem ajuda caso notem algo diferente na pele.

 

 

Juliana Centofanti Dentello Avelar- Dermatologista – CRM 104.695- RQE 48.748

Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia

Residência em Dermatologia pelo Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos

Residência em Clínica Médica: Hospital Universitário São Francisco

Mãe, Médica, Esposa e Multitarefas!

 

Referências:

– Ministério da Saúde: Guia para o controle da Hanseníase, Brasília, 2002

www.saude.gov.br: Saúde de A a Z , Hanseníase

– Guia de procedimentos técnicos: Baciloscopia em Hanseníase: Brasília , 2010

– Portaria do Ministério da Saúde 3125, 07/10/2010: Diretrizes para Vigilância, Atenção e controle da Hanseníase.

– Manual MSD: Versão para profissionais de Saúde: última revisão Abril 2018