Há milhares de anos, o álcool é consumido pelos povos em dias comemorativos, pois ele coloca as pessoas em um estado de relaxamento e diminui a ansiedade. Com a era da industrialização, o álcool de tornou um grande produto de consumo e, com seu poder aditivo e sua produção em larga escala, foi possível que ele se tornasse um produto de uso social/recreacional, se tornando também uma substância de abuso, que causa dependência (em um padrão que traga prejuízos, seja material, afetivo, financeiro ou social).

Em grande parte do mundo ocidental, sendo tal substância legal, o álcool tem se tornado um problema de saúde pública, trazendo prejuízo aos cofres públicos, através de acidentes de trânsito e complicações clínicas, além do alcoolismo em si, que é uma doença crônica.

Outra droga lícita muito consumida é a nicotina que, ao longo destas últimas 3 décadas, foi amplamente combatida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela política de saúde do Brasil, sendo inclusive modelo para outros países. Contudo, há uma tendência para legalizar o uso da Cannabis (mais conhecida como maconha), que sabemos ter componentes, como o Canabidiol, que ajudam em casos de Epilepsia Refratárias. É necessário entender porém, que o uso da maconha fumada não tem indicação terapêutica, pelo contrário, existem diversos artigos científicos que relacionam o uso da maconha com o aumento de incidência de Transtornos de Ansiedade, Ataques de Pânico e Sintomas Psicóticos.

Também é importante lembrar que, cada vez mais, essa droga vem sendo usado por jovens na adolescência, período em que o cérebro está amadurecendo e certas conexões neurais “pouco utilizadas“ são descartadas, ocorrendo a “poda neural”. Uma época tão importante, que certas teorias da causa de Esquizofrenia, são explicadas, em parte, por esse processo.

Existe também outras drogas mais devastadoras, que são psicoestimulantes, como o crack, a cocaína e as anfetaminas (inibidores do apetite), que não são, necessariamente, as substâncias que os jovens entram em contato primeiro, sendo geralmente experimentadas quando indivíduo já fizera o uso do álcool e/ou da maconha. Cabe ainda citar outras drogas, como o ácido lisérgico (LSD), que também existem estudos relacionados, onde demonstram a eficácia da substância para o tratamento do Stress Pós-Traumático; ou da heroína extraída da papoula, de onde se tira também a morfina, droga muito usada para o tratamento da dor.

De todo este cenário brevemente descrito, observa-se o quanto o ser humano consegue descobrir moléculas que, tanto nos trazem saúde como nos causam grandes malefício e prejuízo. Acredito que, sempre que exista uma demanda por alívio e a possibilidade de lucro, o mercado, seja ele legal ou ilegal, fará de tudo para tirar proveito. Desta forma, cabe a sociedade pensar em políticas que promovam o combate ao exagero, e as pessoas que, de forma individual, almejam a transformação e mudança, lutar contra a dependência que estas substâncias promovem.

A prevenção é sempre o melhor tratamento e estudos demonstram que, quanto mais tarde os jovens tiverem contato com o álcool, menor a chance de desenvolverem dependência de álcool e outras drogas.

 

Eduardo Kawakami – CRM: 98206.